Os olhos da minha mãe:
Borboletas azuis
sedentos de voos, de ventos, de distâncias;
Mas
As mãos da minha mãe sempre amarradas:
ao tacho de cobre,
fabricando aromas
de açúcares e cravos e figos e goiabas e ovos e leites e…
De doçuras infindas!
Mais:
As mãos de minha mãe:
sempre espremendo massa, fazendo queijos,
biscoitos e petas e broas
E farinhas e polvilhos
Acendendo o fogo
Fritando o porco, a galinha, dando o de comer a todos;
Ainda mais:
Das mãos da minha mãe
sempre uma segurando, ao seio, um bebê:
(foram DOZE!!)
outra, das tantas, catava piolho, fazia cafuné em outra cria!
Outra, das tantas,
afogando o arroz, o feijão,
fritando a carne
Eram tantas…
Quantas?
Além disso
As mãos da minha mãe Acendiam o fogo;
ferviam a roupa, batiam,
estendiam no quaradouro
colocavam anil…
Costuravam, cerziam, pregavam botões…
teciam fios,
bordavam destinos;
LOGO
As borboletas dos olhos da minha mãe
voaram nos vestidos e camisas e calças que as mãos teciam e bordavam;
(…)
os voos se consubstanciaram!
Os olhos da minha mãe ficaram na doçura do que deu o de comer aos filhos…
no amor com que nutriu a vida dos seus…
E os azuis dos olhos da minha mãe
foram se embaçando
até se escurecerem de vez, no mais absoluto silêncio…
E minha mãe nunca nos falara de amor…
Rosa Santana
Mãe, esse ser sublime, pura poesia extraída da dureza das rochas e da leveza da pluma, é mesmo uma incrível fonte inspiradora para belos poemas.
Parabéns, Rosa.
Rosa Maria Santana, a velha mais bonita de Goiás, veio de Minas Gerais com quatorze anos, para essa cidade que se tornou especial demais: patrimônio do seu coração!
Foi professora, viveu e criou sonhos em sala de aula, e fora dela! Estudou literatura e se fez mestra porque ama as letras! E porque ama poesia, dá voz aos autores vários, daqui e de além, entoando seus textos com o intuito de mantê-los vivos, sempre!
Seu maior tesouro: duas filhas, quatro netos, irmãos e toda a família, os amigos!
Seu maior objetivo: ser aprendiz de sonhadora, todos os dias!
O abraço dessa vez, vai quentinho de poesia e ternura.
Até a próxima.
Texto por Maria Alexandrina de Castro
Foto: Paulo Campos
Maria Alexandrina é responsável pela coluna “Literatura do Coração do Brasil”; ela é escritora, contadora de histórias; microempresária, proprietária da ArteVida.
Produtos Artesanais, Artísticos e Culturais; membro do Conselho Municipal de
Políticas Culturais (CMPC), ocupando a cadeira de literatura; integrante do coletivo de autores e autoras da cidade de Goiás











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