Inquilino
No começo, foram batidas suaves,
quase não pude ouvir.
Com o tempo, ficaram mais altas, mais fortes, mais frequentes,
como quem tinha pressa de entrar.
Mas o vento era alto demais.
Brigava com os pássaros, com as borboletas e com as flores.
Levava tudo consigo e trazia coisas mais.
Uivava tão alto quanto um lobo liderando a alcateia.
E o amor bateu à porta.
Ele não parecia ruim.
Tinha semblante sereno, olhar doce, voz mansa
e as bochechas rosadas
de um bebê que acabara de se alimentar.
Mas como eu poderia confiar?
Eu só conhecia o vento.
A bagunça que ele fizera já não me parecia possível consertar.
Árvores tombadas, lixo espalhado,
telhado arrancado, flores mortas,
poeira por todo lado.
O vento vinha sendo cruel.
E o amor bateu à porta.
Mas o vento não estava fora.
Estava dentro.
E já não havia espaço para o amor entrar.
E o amor parou de bater à porta.
Não foi embora.
Sentou-se na varanda, esperando que, um dia,
o vento se cansasse de uivar.
Stephanie de Castro.
Outro dia, recebi uma imagem de visualização única de uma sobrinha. Com a curiosidade despertada pelo mistério daquele ícone, abri o arquivo e me deparei com um lindo poema. Logo abaixo, havia a seguinte mensagem: “Perdi o sono esta madrugada e escrevi isso”.
Se gostei? Minha reação imediata foi perguntar se poderia publicá-lo na coluna deste mês.
Stephanie viveu comigo aqui em Goiás durante um período difícil de sua vida. Foi logo no início da adolescência, assim que perdeu a mãe para um câncer cruel. As tempestades, infelizmente, chegaram cedo para ela.
Desejo que os bons ventos tragam suavidade e todo o amor de que você precisa, e que a escrita continue sendo sua aliada fiel. Parabéns pela coragem de tornar públicos esses versos que, bem sei, transbordaram das profundezas da alma.
Agora, deixo que esta promissora e jovem poeta se apresente:
“Sou Stephanie de Castro Novais, tenho 26 anos, trabalho como costureira, sou viciada em fazer bolos e amante do estilo ‘faça você mesmo’. Nasci em Goiânia e resido em Aparecida de Goiânia desde então — com um parêntese em que vivi, dos 13 aos 15 anos, na Cidade de Goiás com minha tia, meu irmão e meus primos.
Foi nesses três anos que pude sentir o perfume da arte que exala pela cidade. Ali, consegui enxergar a criatividade que existia em mim e descobrir o gosto pelas belezas que mentes criativas e mãos habilidosas produzem. Além de criativa, minha mente é ‘barulhenta’, e tenho encontrado na escrita um refúgio para os dias de ventania.”
Abraços poéticos, e até a próxima!
Texto por Maria Alexandrina de Castro
Foto por Brisa Castro
Maria Alexandrina é responsável pela coluna “Literatura do Coração do Brasil”; ela é escritora, contadora de histórias; microempresária, proprietária da ArteVida.
Produtos Artesanais, Artísticos e Culturais; membro do Conselho Municipal de
Políticas Culturais (CMPC), ocupando a cadeira de literatura; integrante do coletivo de autores e autoras da cidade de Goiás











Comments are closed.