Fundado em 1986, o Grupo de Capoeira Arte Negra segue escrevendo sua história como um dos principais símbolos da capoeira na cidade de Goiás. Criado pelo mestre Pajé, Célio Rodrigues dos Santos, o grupo foi o primeiro a ser instalado oficialmente no município e ajudou a formar diversos alunos que, ao longo dos anos, abriram novos caminhos dentro da capoeira na região.
Após um período de dificuldades e sem local fixo para treinamentos, o grupo voltou às atividades há cerca de seis meses e vive agora uma fase de retomada, reunindo crianças, adolescentes e adultos em um importante trabalho social e cultural.
Hoje, cerca de 50 alunos participam das aulas gratuitas promovidas pela Associação São Bento Pequeno, entidade filantrópica sem fins lucrativos criada junto ao grupo.
“Estamos resgatando os antigos alunos, os mais novos e também as crianças. Nosso objetivo sempre foi o trabalho social”, afirma o mestre Célio.
Os treinamentos acontecem às terças e sextas-feiras, a partir das 19h, além de encontros aos domingos alternados, das 16h às 19h30. Durante a semana, crianças e adultos treinam juntos. Já aos domingos, os treinos são voltados principalmente aos alunos mais graduados e veteranos.
Segundo os professores, o trabalho vai muito além da prática esportiva. A capoeira é utilizada como ferramenta de disciplina, educação e inclusão social.
“A primeira coisa é a ginga, os movimentos, mas também trabalhamos muito disciplina, comportamento e respeito”, explica o professor Paulo Sérgio Batista Cascalho.
Além disso, os professores acompanham de perto o comportamento dos alunos fora da academia, incluindo o desempenho escolar das crianças e adolescentes.
As aulas funcionam em um espaço comunitário ligado à cooperativa da feira de agricultura familiar. A retomada das atividades contou com apoio fundamental da cooperativa Recicla Tudo, que passou a colaborar com materiais, uniformes e estrutura para os treinamentos.
O presidente da cooperativa, José Vicente Ferraz, explicou que a parceria surgiu após conversas com os professores e o mestre do grupo.
“O grupo estava meio parado. Conversamos com o Paulo, procuramos o mestre e resolvemos reativar o projeto. E está dando certo”, destacou.
Mesmo sem grandes recursos financeiros, a cooperativa vem oferecendo apoio constante ao projeto e busca novos patrocinadores para ampliar as ações sociais desenvolvidas pelo grupo.
“A ideia da Recicla Tudo é correr atrás de mais parcerias para fortalecer o projeto. A capoeira está ajudando muitas crianças e jovens”, afirmou José Vicente.
A parceria também conta com apoiadores ligados à Universidade Federal de Goiás (UFG), através do grupo Recicla Goiás, formado por professores e colaboradores que acompanham o desenvolvimento do projeto.
Segundo José Vicente, investir em iniciativas sociais faz parte do compromisso da cooperativa com a comunidade.
“A gente tentou outros projetos antes, mas a capoeira foi o que realmente deu certo. Hoje vemos muitos meninos participando”, ressaltou.
O Grupo Arte Negra também mantém viva a tradição das rodas de capoeira na cidade. No passado, apresentações aconteciam frequentemente na Praça do Coreto, Praça João Francisco e na tradicional feira da cidade. Agora, os integrantes pretendem retomar novamente essas atividades culturais em espaços públicos.
Além das rodas e apresentações, o grupo se prepara para realizar um novo batizado, cerimônia tradicional da capoeira que marca a troca de cordas dos alunos após meses de treinamento.
O evento funciona como uma avaliação prática, onde os participantes demonstram os conhecimentos adquiridos dentro da modalidade.
“Cada troca de corda representa evolução. A gente vai acompanhando os alunos, corrigindo, ensinando e ajudando eles a crescer”, explicou o mestre Célio.
Mesmo sem foco competitivo no momento, alguns integrantes já participaram de encontros e eventos de capoeira em outras cidades da região.
O sonho agora é ampliar o projeto para outros bairros da Cidade de Goiás e alcançar ainda mais crianças e adolescentes.
“Queremos expandir, pegar essa juventude dos setores mais afastados, tirar os meninos da rua e um pouco do celular também. A capoeira é cultura, amizade, disciplina e oportunidade”, afirmou o mestre.
Ao final da entrevista, os responsáveis pelo projeto fizeram um apelo à comunidade para apoiar a continuidade da capoeira na cidade.
“Não precisa ajudar só com patrocínio. Incentive, traga seus filhos para treinar. A capoeira não pode morrer dentro da Cidade de Goiás”, concluiu José Vicente Ferraz.
Higor César Ferreira- Repórter e editor do Jornal Imprensa Criativa cidade de Goiás







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