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Livros: O Legado Imortal de Quem Escreve

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Todo livro conta uma história inventada, acontecida ou totalmente fora de órbita. Ela pode ser autobiográfica, biográfica, real ou fictícia.

Ele presenteia o leitor numa correria desloucada, lenta ou arrastada, com coisa brilhante, triste, alegre, reflexiva e desvendadora, mesmo sem a autorização do autor, que, meio em maresia vai e volta celebrando todas as vidas. As que balançam em ondas bravias ou as navegantes em calmarias. O livro não deixa as letras se calarem, nem vírgulas e pontos pautarem as batidas de corações escrevejeiros.

O autor entrega sua vida aos leitores, assim como o poeta quase morre junto de sua poesia.

As letras cantam em frases num aprendizado sempre, indiferentes a quem as escrevem, fotografando o teatro musical e seus atores.

A letra é uma célula tronco ligada a todas as outras letras, em distantes mundos e diferentes desenhos, como árvores de muitas folhas, mas nenhuma totalmente igual. Elas são como areias que formam a praia e nos aproxima do mar.

Cada grãozinho é importante, assim como todas letras virando palavras, frases, livros, nos ligando ao universo das lendas.

Todas as letras querem virar músicas, poemas, novelas, filmes e gritam dizendo que existem, mesmo que esquecidas em memórias não apagadas.

Elas são como nuvens no espaço entre o céu e a terra, que derrama chuva de risadas, de reflexão, de espanto e de civilidade.

Um livro escrito num penhasco é mais firme que gemidos de amor, mais ardido que pimenta malagueta e mais escorregadio que baba de quiabo. E esse mesmo livro te mantém no topo, como menino buscador, como um incômodo sonho de não poder voar. Ele agarra em nós como nódoa de caju que escorre gostosa querendo ser alegre palavra voadora a declarar amor pela fruta tenra.

O livro nos estende as mãos, exatamente como as letras se entrelaçam dentro da gente, sendo parte habitante como células, areias, nuvens e brumas palpáveis.

    1. As letras não envelhecem, os livros também não, mas, o escrevinhador, esse sim definha qual grafite de muito uso, só que, deixando, como ponta de lápis e bico de caneta, rastos, lembranças sangradas, sagradas e imortais.

Ivanor Florêncio _ Escritor

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