Press "Enter" to skip to content

DESCENTRALIZANDO O CENTRO

Compartilhe

Após mais de 20 anos de projetos de revitalização descontinuados no Centro de Goiânia pelo poder público, o movimento ARTEtetura e HUMANismo, – que em 2021 escolheu a cidade como sede dos seus projetos de arte urbanizadora e urbanismo artístico -, apresenta uma série de filmes ambientados na paisagem cultural desse bairro para mostrar as potencialidades sub-aproveitadas do seu patrimônio edificado, hoje, desumanizado.

Com diversos espaços públicos e equipamentos culturais, o Centro da capital goiana costuma ser inexplorado fora dos horários comerciais, ainda mais após a pandemia global, quando foram fechados centenas de comércios locais, inclusive, bares e restaurantes.

Apesar dos caminhos e linhas de ônibus convergirem para a Praça Cívica, em função do caráter radiocêntrico da capital goiana, – que tem o maior acervo de arquitetura pré-modernista e Art Decó do Brasil -, o Centro tem tido um comportamento ambiental, predominantemente, como um território do consumo e da mobilidade (espaço de passagem), pouco amigável e convidativo à interação social e a reapropriação espacial. Na tentativa de criar novos mapas íntimos (centros interiores) que sugiram novos devires e derivas geoafetivas é possível a criação de um sentido de pertencimento local do morar goianiense no Centro a partir de sua característica de interterritorialidade antropológica, fazendo do ecletismo cosmopolita um valor e antídoto contra o bairrismocentrismo, comum em outras paragens.

Ao efetuar um desestranhamento com o Centro e seu traçado original tombado do urbanismo modernista em Goiânia, se valoriza os imaginários urbanos desse “palácio da memória” da cidade capital de 30 e das Diretas-Já, permitindo que os fantasmas da história e memória, pouco conhecido, do Centro se tornem pessoas de carne e osso, humanizados através da arte-educação patrimonial e histórica. Esta série videográfica de democratização urbana, passível de ser replicada em todos os centros reinventados nos 4 cantos da cidade, cada vez mais policentrada, microterritorializados e virtualizados, desperta para a consciência urbana e política de que a urbis é o lócus da cidadania plena.

Interiorizando o Centro é possível repensar nova centralidades para as periferias por meio da descentralização do espaço central.

Be First to Comment

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mission News Theme by Compete Themes.