Neste domingo, 25 de janeiro de 2026, foi realizada a quinta edição do projeto Sindicato Até Você. A ação marcou a primeira edição da iniciativa neste ano e também entrou para a história como a primeira realizada em um acampamento.
O evento aconteceu no acampamento Dom Eugênio, localizado a cerca de nove quilômetros da cidade de Goiás, às margens da rodovia GO-164, na estrada que liga o município a Faina e Itapuranga.

A programação teve início às 9h30 da manhã e seguiu até às 13h, quando foi servido um almoço aos participantes. O cardápio contou com arroz com galinha e feijão.

As falas foram iniciadas pelo jornalista Higor César, que apresentou o projeto e explicou o funcionamento do Sindicato Até Você. Em seguida, a presidente do sindicato, Ivonilde Francisca da Silva, que também é acampada no Dom Eugênio, falou sobre a importância da luta pela terra e destacou os benefícios oferecidos pelo sindicato aos trabalhadores e trabalhadoras.
A coordenadora do acampamento, Suzane Elias da Silva, ressaltou a importância da união entre todos os moradores do local e deu as boas-vindas à equipe do projeto.
Durante o encontro, moradores apresentaram a realidade do acampamento, onde as moradias são barracos improvisados feitos de lona. Jovens, mulheres e idosos relataram há quanto tempo vivem no local, falaram sobre os sonhos para o futuro e reforçaram a importância de lutar pela conquista da própria terra, como forma de garantir o direito de plantar, viver e sustentar suas famílias.
O Acampamento Dom Eugênio foi montado em 22 de novembro de 2009 e, ao longo dos anos, várias pessoas que passaram pelo local já conquistaram suas terras em diferentes assentamentos, resultado da persistência e da luta coletiva por dignidade e justiça no campo.
Acampados do “Dom Eugênio” aguardam há anos pela conquista da terra
Há anos vivendo debaixo de lonas, famílias acampadas no Acampamento Dom Eugênio seguem aguardando uma resposta definitiva sobre a liberação das terras. Homens, mulheres, jovens e idosos compartilham uma mesma expectativa: conquistar um pedaço de chão para plantar, trabalhar e garantir dignidade.
Paulo Sérgio Fernandes Pedrosa cobra agilidade das autoridades. Segundo ele, a espera já se estende por tempo demais. “Queremos uma resposta rápida sobre quando sairá a nossa terra”, afirma.
A luta também é marcada pela longa trajetória de resistência. Adalto Teixeira conta que está há cinco anos no acampamento, mas que a batalha começou bem antes. “Desde 2005 luto para ter uma terra. Quero um lugar para plantar e trabalhar. Peço que seja o mais rápido possível, porque já estou em idade avançada”, relata.
No acampamento desde 2017, Carla Maria destaca que nem todos tiveram o mesmo desfecho. Ela conta que a irmã e o cunhado iniciaram a luta ao seu lado, mas já conseguiram ser assentados, enquanto ela segue aguardando.
Francisco da Silva Almeida, há quatro anos no local, pede mais atenção do poder público para a realidade vivida pelas famílias acampadas. Já Renato Ribeiro dos Santos resume o sentimento coletivo ao relatar as dificuldades enfrentadas. “Estamos há muito tempo debaixo da lona, sofrendo. Precisamos logo da nossa terra”, desabafa.
Entre os acampados também estão jovens que cresceram no local. João Victor dos Santos Oliveira, de 22 anos, vive no acampamento desde criança com a família e sonha em construir o futuro ali. Ele afirma que deseja ter sua própria terra para trabalhar, investir em tecnologia e viver do que produzir.
Maria Aparecida do Nascimento de Castro mora no acampamento há cinco anos e reforça o desejo de produzir para o próprio sustento. Ela faz um apelo por ajuda e diz que quer viver da terra, plantando para consumo próprio.
A precariedade das condições de moradia também faz parte da rotina. Maria das Graças Alves Ferreira e o esposo, Antônio Manoel dos Santos, estão há dois anos no acampamento e vivem em um barraco de lona simples, dividido em apenas um quarto, cozinha, banheiro e uma pequena área na frente.

Higor César Ferreira- Repórter e editor do Jornal Imprensa Criativa cidade de Goiás
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