Realizada tradicionalmente na Quarta-feira Santa, a Procissão do Fogaréu aconteceu em 2026 no dia 1º de abril, reunindo fiéis e visitantes na Cidade de Goiás para mais uma edição de uma das maiores manifestações religiosas e culturais do país, o cartão postal da antiga capital de Goiás
A madrugada foi marcada por emoção, silêncio e forte simbolismo, reforçando uma tradição secular que atravessa gerações. Neste ano, a procissão contou com 60 farricocos, ampliando a grandiosidade do cortejo. Encapuzados, vestindo túnicas e carregando tochas, eles representaram os soldados que saíram à procura de Jesus Cristo, criando um dos cenários mais impactantes da Semana Santa.
Antes do início, os farricocos e a banda se concentraram na Universidade Federal de Goiás, na Unidade de Ciências Humanas, instalada no antigo Colégio Santana, onde se preparam para o ritual.
O percurso pelas ruas históricas
A procissão teve início no Museu de Arte Sacra da Boa Morte, seguindo pelas ruas históricas da cidade:
- Rua Moretti Foggia
- Rua Senador Eugênio Jardim
- Rua Dom Cândido (região da Ponte da Cora)
- Travessia da ponte
- Rua Hugo Ramos (região do Hospital São Pedro)
- Praça Zaqueu Alves de Castro
- Continuação pelo Centro Histórico
O trajeto transforma a cidade em um grande cenário a céu aberto, onde história e religiosidade se encontram.
Paradas que marcam a encenação
A Procissão do Fogaréu é marcada por três momentos principais:
1ª parada — Museu de Arte Sacra da Boa Morte
Ponto de partida e abertura simbólica da procissão.
2ª parada — Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Neste local ocorre a encenação da Última Ceia, com a presença do dono do cenáculo, o Hospedeiro, papel tradicionalmente interpretado há muitos anos por Guilherme Veiga, atual presidente da Organização Vilaboense de Artes e Tradições-OVAT, que realiza a Procissão do Fogareú.
3ª parada — Igreja de São Francisco de Paula
Representando o Monte das Oliveiras, onde Jesus foi preso, este é um dos momentos mais simbólicos. O farricoco vermelho toca o trompete, enquanto a imagem de Cristo é representada por uma pintura em tecido.
No local, é celebrada uma pequena missa presidida pelo bispo Dom Jeová Elias, juntamente com o pároco da Catedral de Sant’Ana, Padre Augusto Cézar.
O retorno do cortejo
Após a última parada, a procissão segue pela Rua Professor Ferreira e pela Rua Maximiano Mendes, retornando ao Museu de Arte Sacra da Boa Morte, onde teve início, encerrando simbolicamente o percurso.
Participações religiosas e presença especial
A edição de 2026 contou com a participação do padre Fábio Marinho, conhecido como “padre digital”. Ele celebrou a missa das 22h30 na Catedral de Sant’Ana e também foi um dos celebrantes da missa durante a procissão.
Outro destaque foi a presença do ator, humorista e influencer Odorico Reis, que esteve na cidade a convite da Secretaria Municipal de Turismo. Ele participou ativamente de toda a programação da Semana Santa, incluindo a Procissão do Fogaréu, Procissão dos Penitentes, Descendimento da Cruz, Procissão do Senhor Morto, Missa do Lava-Pés e o tradicional Fogaréuzinho, realizado há quase 30 anos.
Tradição que se mantém viva
A procissão contou ainda com uma fanfarra composta por 24 integrantes, reforçando o clima solene do cortejo.
Com forte participação popular e presença de turistas, a Procissão do Fogaréu 2026 reafirmou a força da fé, da cultura e do turismo religioso na Cidade de Goiás, mantendo viva uma das mais importantes tradições do Brasil há 281 anos.
Higor César Ferreira- Repórter e editor do Jornal Imprensa Criativa cidade de Goiás
Rosy Braga- Imagens







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