
Estudos do projeto Águas do Cerrado – GWATÁ/UEG revela mudanças importantes na dinâmica atmosférica de 2025 e surgem as perguntas: Por que as chuvas na cidade de Goiás estão sendo tão rápidas e fortes neste ano? Mesmo já estando em dezembro, por que ainda choveu tão pouco e o calor continua intenso? O que explica o fato de que no ano passado as chuvas começaram em setembro, mas neste ano estão demorando tanto para se regularizar?
As chuvas na cidade de Goiás têm despertado preocupação entre moradores e especialistas. Para entender o que está acontecendo, o projeto Águas do Cerrado – GWATÁ/UEG analisou detalhadamente os dados meteorológicos registrados entre 26 de outubro e 26 de novembro de 2025. A pesquisa, conduzida pelo professor Robson Moraes, revela que a transição entre a estação seca e a estação chuvosa deste ano apresentou anomalias significativas, alterando o comportamento esperado das precipitações no Cerrado vilaboense.
Atraso e irregularidade nas chuvas
O estudo aponta que houve atraso no início das primeiras chuvas, além de uma concentração de precipitação em poucos dias, em vez de distribuir-se de forma gradual ao longo de novembro como costuma ocorrer.
Essa irregularidade impediu a reorganização hidrotérmica do solo e dificultou a entrada definitiva do período úmido.
Temperaturas mais altas do que o esperado
Durante grande parte do período seco, as temperaturas máximas ficaram acima da média, favorecendo o acúmulo de energia térmica na superfície. A atmosfera permaneceu dominada por:
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Ar seco persistente;
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Céu limpo na maior parte dos dias;
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Radiação solar intensa;
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Índices de UV classificados entre “muito altos” e “extremos”;
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Grande amplitude térmica diária.
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Esse ambiente quente e seco dificultou a formação de nuvens e bloqueou a chegada de umidade da Amazônia.
Solo ressecado e impactos imediatos
Outro fator decisivo foi o solo extremamente seco, que apresentou rápida desidratação e grande variação de umidade e condutividade elétrica após chuvas isoladas. Sem capacidade de reter água por longos períodos, o solo acaba:
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Intensificando o escoamento superficial,
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Aumentando o risco de enxurradas e alagamentos,
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Dificultando o restabelecimento da umidade necessária para consolidar a estação chuvosa.
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O que explica tudo isso?
A combinação entre: Atraso das primeiras chuvas, temperaturas máximas acima do esperado e solo muito ressecado. Gera um ambiente com acúmulo excessivo de energia térmica, o que bloqueia a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), principal sistema responsável pelas chuvas de verão no Centro-Oeste.
Além disso, 2025 está sob influência do “El Niño”, fenômeno que costuma atrasar a estação chuvosa e favorecer bloqueios atmosféricos, impedindo a entrada de umidade.
Por que isso importa?
O atraso e a irregularidade das chuvas trazem consequências diretas para a cidade de Goiás, veja quais são abaixo:
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Maior risco de estresse hídrico na vegetação;
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Vulnerabilidade de nascentes e córregos urbanos;
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Necessidade de cuidado redobrado no manejo agrícola e nas janelas de plantio;
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Aumento de queimadas urbanas e rurais;
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Riscos à saúde, devido ao calor extremo, baixa umidade e radiação UV elevada.
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A importância do monitoramento
O trabalho realizado pela UEG mostra a relevância do monitoramento climático local. A continuidade dessa série histórica de dados é fundamental para prever riscos ambientai, orientar políticas públicas, planejar ações de adaptação climática e proteger recursos hídricos, solo e vegetação do Cerrado.
Segundo o professor Robson Moraes, ampliar a rede de monitoramento com novas estações pode fornecer ainda mais precisão sobre os padrões microclimáticos do município.
Os dados apontam que a cidade de Goiás vive uma transição chuvosa tardia, fragmentada e instável, resultado de um conjunto de fatores atmosféricos, térmicos e edáficos que se retroalimentam. O estudo reforça a importância de unir ciência, gestão pública e comunidade para enfrentar os desafios climáticos que se intensificam no Cerrado.
Águas do Cerrado – GWATÁ / UEG segue monitorando a situação e deve divulgar novas atualizações conforme a evolução do regime de chuvas, nós da Imprensa Criativa atualizaremos as informações assim que forem divulgadas.
Higor César Ferreira- Repórter e editor do Jornal Imprensa Criativa
Rafael Lino Rosa-Fotos







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