A tradicional Cruz do Anhanguera, um dos símbolos históricos e culturais da Cidade de Goiás, passou por momentos de preocupação na última terça-feira, 7 de abril de 2026. Localizada na Rua Moretti Foggia, no Centro Histórico, a estrutura foi danificada, retirada para reparos e reinstalada no mesmo dia.
Segundo informações da Prefeitura Municipal, o dano ocorreu durante a retirada de estruturas decorativas instaladas para as celebrações da Semana Santa. Durante o processo, um dos braços laterais da cruz acabou se rompendo, comprometendo a integridade da peça de madeira.
Logo após o ocorrido, a situação chamou a atenção de moradores e visitantes que passaram pelo local. Ainda na manhã de terça-feira, a estrutura foi coberta com uma lona preta — medida que gerou questionamentos — mas que, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, foi adotada por segurança.
De acordo com Phaulo Maciel, chefe substituto do Escritório Técnico do Iphan em Goiás, a orientação inicial foi isolar a área e proteger a madeira contra intempéries, evitando que chuva ou sol agravassem os danos já existentes.
“A cobertura com lona foi uma medida preventiva para evitar que fatores climáticos potencializassem os danos na estrutura”, explicou.
Ainda no dia 07/04, a equipe técnica do Iphan realizou uma vistoria in loco e encaminhou registros fotográficos à Superintendência do órgão em Goiás, onde o caso segue sob análise. Segundo o instituto, há inclusive um documento técnico (SEI nº 7141009) previamente enviado à Prefeitura, contendo recomendações e diretrizes para intervenções em áreas tombadas, como o Centro Histórico da cidade.
Apesar de não haver, inicialmente, indicativo de retirada completa da cruz, o Iphan informou que orientou a remoção das partes danificadas como forma de evitar riscos e impedir o agravamento da situação.
Outro ponto destacado pelo órgão é que foi solicitada à Prefeitura a formalização da ocorrência, bem como um pedido oficial de autorização para a intervenção de reparo — procedimento considerado essencial em áreas protegidas. No entanto, segundo o chefe substituto, essa formalização não havia sido realizada até aquele momento.
Ainda assim, no decorrer da tarde, o secretário municipal de Planejamento entrou em contato com o Iphan informando que a cruz já havia passado por reparos e sido restaurada.
Diante disso, o instituto solicitou o envio de documentação técnica detalhada, incluindo um mapa de danos, descrição dos procedimentos adotados e esclarecimentos sobre o tipo de intervenção realizada — se definitiva ou apenas paliativa. Caso seja provisória, o órgão reforça a necessidade de definição de prazo para uma restauração completa.
A gravidade dos danos estruturais ainda será avaliada de forma mais aprofundada pelo Iphan, que aguarda os relatórios técnicos para um posicionamento conclusivo sobre o estado da cruz.
Apesar do susto, a situação foi resolvida com rapidez. Até o final do dia, a Cruz do Anhanguera já estava consertada e reinstalada em seu local de origem, tranquilizando a população.
O monumento é frequentemente associado à memória do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, figura marcante na história da ocupação do interior do Brasil, e integra o conjunto arquitetônico e simbólico da cidade, reconhecida como Patrimônio Histórico Nacional.
O episódio reacende o debate sobre os cuidados necessários em intervenções em áreas tombadas, especialmente durante grandes eventos como a Semana Santa, que mobilizam estruturas temporárias e grande fluxo de pessoas.







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