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A Família Cassimiro preserva o costume de receber os Grupos da Folia do Divino Espírito Santo.

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Tradição que resiste ao tempo: Folia do Divino Espírito Santo da Cidade de Goiás mantém viva a fé e a cultura popular há mais de dois séculos

Por Carmelita Gomes – Imprensa Criativa

As Folias do Divino Espírito Santo, celebradas com devoção e alegria na antiga Vila Boa — atual Cidade de Goiás — são uma das manifestações culturais mais antigas e simbólicas do estado. Sua origem remonta ao período colonial, ainda no século XVIII, tendo sido trazida pelos portugueses, especialmente os devotos açorianos, como forma de expressar fé, fortalecer os laços comunitários e celebrar o ciclo do Pentecostes.

🌿 Raízes profundas na fé e na história

Durante o ciclo do ouro em Goiás, missionários católicos, bandeirantes e devotos organizaram as primeiras bandeiras do Divino, que percorriam vilas, povoados e fazendas, levando a bandeira vermelha, a coroa e a pomba branca — símbolos do Espírito Santo — e entoando cantos com caixa, viola, pandeiro e reco-reco. A prática, de origem medieval portuguesa, foi se misturando com influências afro-brasileiras e indígenas, criando um ritual único na região.

Apesar de registros orais e relatos de viajantes indicarem a presença das folias já no século XVIII, o primeiro documento oficial data de 1834, na então Vila Boa, confirmando a organização formal dessas celebrações.

“Munidos das bandeiras e insígnias do Divino Espírito Santo, circulam pela Cidade de Goiás de casa em casa […] recolhem donativos para a Festa do Divino e são recebidos com quitutes e bebidas pelos moradores.”
(Relato histórico, acervo ADMIM)

🎭 De geração em geração

O percurso dos foliões pode durar dias ou até semanas. As visitas às casas terminam com a grande Festa do Divino, marcada por missas solenes, distribuição de alimentos, danças tradicionais e a coroação do imperador ou da imperatriz do Divino — um ritual simbólico de entrega da fé à espiritualidade.

Até os dias atuais, essa prática segue viva e vibrante, sendo considerada Patrimônio Cultural Imaterial de Goiás. E mesmo diante das transformações do mundo moderno, famílias tradicionais mantêm o compromisso de acolher os foliões com fé, comida e emoção.

👪 A tradição viva da Família Cassimiro

Entre essas famílias que seguem firmes no acolhimento das folias está a Família Cassimiro, que há 46 anos preserva o costume de receber os Grupos da Folia do Divino Espírito Santo. Natural da Cidade de Goiás, Graça Cassimiro, filha caçula de dona Maria Cassimiro (in memoriam), é hoje uma das guardiãs desse legado familiar.

Instalada há décadas em Goiânia, Graça continua acolhendo o grupo de foliões da antiga capital, mantendo o elo entre a cidade histórica e a capital moderna. Sua casa se transforma todos os anos em um espaço de fé, memória e resistência cultural.

É uma emoção que não cabe no peito. Ver a Coroa do Divino Espírito Santo adentrando em nossa casa, ouvir os cantos… é como se minha mãe estivesse viva ali conosco. Enquanto eu viver, essa tradição vai continuar”, afirma Graça Cassimiro, com os olhos marejados de saudade e gratidão.

🏛️ Um patrimônio que pulsa

A Folia do Divino Espírito Santo não é apenas uma festa — é um símbolo de resistência cultural, identidade comunitária e espiritualidade coletiva. Com raízes que atravessam os séculos e corações que não esquecem suas origens, ela segue reunindo famílias, músicos e devotos em torno da fé e da tradição.

Em um mundo cada vez mais acelerado, manter viva uma tradição oral, coletiva e espiritual como essa é um gesto revolucionário — e profundamente humano.

Por isso, homenageamos a Familia Cassimiro: Graça Maria Cassimiro, Mara Cassimiro, Tania Maria Cassimiro e o irmão Sebastião Macalé por manter a tradição da Folia do Divino Espirito Santo por estes 46 anos os recebendo em goiania

🙌 Homenagem especial

Por sua dedicação incansável, fé inabalável e compromisso com a preservação da cultura popular, homenageamos com gratidão e reverência a Família Cassimiro — representada por Graça Maria Cassimiro, Mara Cassimiro , Tania Maria Cassimiro e Sebastião Macalé —  Por manterem viva a tradição da Folia do Divino Espírito Santo, recebendo com amor e devoção os grupos da antiga capital Cidade de Goiás, em sua casa em Goiânia.

Essa família é um elo entre passado e presente, entre a tradição e o futuro, garantindo que o sopro do Divino continue iluminando os lares e os corações goianos.

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