Press "Enter" to skip to content

Museu da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos é inaugurado na cidade de Goiás e marca novo capítulo nos 281 anos de história

Compartilhe

A Venerável Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos viveu um momento histórico na sexta-feira, dia 20 de fevereiro de 2026, com a inauguração oficial do Museu da Irmandade, instalado na tradicional Igreja de São Francisco. A cerimônia marcou não apenas a entrega de um espaço reestruturado, mas também a consolidação de um sonho antigo: transformar a igreja em um verdadeiro centro de memória, mantendo ao mesmo tempo sua missão religiosa.

Neste ano, a Irmandade completa 281 anos de existência uma trajetória de fé, tradição e preservação cultural que agora ganha novo impulso com a organização e valorização do seu acervo histórico.

De museu informal a centro de memória estruturado

Embora o museu já existisse desde 2015, o espaço funcionava de forma improvisada. Peças históricas estavam guardadas, muitas vezes sem exposição adequada e sem acompanhamento técnico especializado.

Segundo o provedor Leonnardo Vinícius Campello, a ideia de transformar o local em um museu estruturado nasceu em 2022, quando assumiu a gestão da Irmandade.

“Não era apenas dizer que era museu. Vamos fazer uma coisa certa: restaurar, colocar as coisas que são da Irmandade em exposição para o pessoal entender. Queríamos que fosse um museu de verdade.”

O projeto começou a ganhar forma em 2024, quando foi inscrito em edital cultural. A execução ocorreu entre o final de 2025 e o início de 2026.

A iniciativa foi viabilizada após o projeto “Readequação do Museu da Venerável Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos” ser contemplado pelo edital 12/2024 da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura de Goiás.

Com os recursos, foi possível:

  • Restaurar toda a prataria da Irmandade;

  • Recuperar vestimentas litúrgicas históricas;

  • Restaurar crucifixos e imagens sacras;

  • Produzir expositores apropriados;

  • Organizar tecnicamente o acervo;

  • Iniciar o processo de catalogação das peças.

O trabalho contou e ainda conta com acompanhamento museológico especializado. A museóloga Nataly Mendes Vitorio e segue auxiliando na catalogação e organização do acervo.Um acervo de séculos

Atualmente, o museu reúne cerca de 60 peças, entre objetos da própria Irmandade e da igreja. Algumas peças pertencem ao acervo histórico familiar de membros da comunidade, e já há famílias interessadas em realizar doações futuras.

Entre os destaques do acervo estão:

  • Um Cristo morto;

  • Um Cristo crucificado do século XVIII;

  • Um Cristo em marfim do século XVIII;

  • Uma imagem do século XIX atribuída a Veiga Vale.

Muitas dessas peças, antes guardadas, agora estão expostas de forma adequada, permitindo melhor compreensão histórica e artística por parte dos visitantes.

Entenda: Igreja e museu no mesmo espaço

A igreja, que integra a Paróquia Sant’Ana, vinculada à Catedral de Sant’Ana, agora funciona oficialmente também como museu.

A visitação foi organizada com entrada lateral, percurso pelo corpo da igreja, sacristia, sala do conselho e sala anexa, finalizando por outra saída.

Apesar da nova função cultural, as missas e cerimônias continuam normalmente. Fora dos horários litúrgicos, o espaço entra na programação museológica.

Funcionamento do Museu

  • De terça a sábado

  • Das 8h às 12h

  • Apenas no período da manhã

Em feriados, o funcionamento depende do calendário religioso. Durante a Semana Santa e FICA geralmente há visitação. No Carnaval, o espaço não abre.

Inauguração na primeira sexta-feira da Quaresma

A escolha da data foi simbólica. A inauguração ocorreu na primeira sexta-feira da Quaresma, período tradicional de celebrações na igreja até a Festa do Senhor dos Passos.

Às 19h, foi celebrada missa presidida pelo bispo da Diocese de Goiás, Dom Jeová Elias. Ao final da celebração, o bispo e o provedor realizaram o descerramento da placa de inauguração do museu.

Preservação para o futuro

Para o provedor, o museu representa mais do que um espaço expositivo:

“Espero que esse museu, esse centro de memória da Irmandade, possa passar para as gerações futuras, tanto dos irmãos quanto da comunidade em geral, a herança dos nossos antepassados.”

A gestão do museu é compartilhada entre a Irmandade e a Paróquia Sant’Ana, reforçando o compromisso conjunto com a preservação da memória religiosa e cultural.

Higor César Ferreira- Repórter e editor do Jornal Imprensa Criativa cidade de Goiás

Comments are closed.

Mission News Theme by Compete Themes.