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Check-in digital passa a ser obrigatório e muda rotina de hotéis e pousadas

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Uma nova exigência começa a transformar a experiência de hospedagem no país. Hotéis e pousadas de todo o Brasil devem adotar a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes Digital (FNRH), substituindo o antigo preenchimento em papel por um sistema eletrônico.

A medida, coordenada pelo Ministério do Turismo, tem como objetivo modernizar o setor, agilizar o atendimento e garantir mais segurança no armazenamento das informações dos viajantes.

Na prática, o check-in pode ser feito de forma antecipada, por meio de links ou sistemas digitais. Apesar disso, o hóspede não é obrigado a utilizar um aplicativo específico, já que cada estabelecimento pode definir a melhor forma de realizar o cadastro.

Realidade local: adaptação já acontece na cidade de Goiás

Na Cidade de Goiás, empreendimentos já operam dentro desse modelo. É o caso da Pousada Refúgio Encantado, que utiliza ferramentas digitais desde o início das atividades.

A proprietária, Elenice, explica que o processo começa ainda no primeiro contato com o cliente.

“Quando o hóspede entra em contato com a gente pelo WhatsApp, já recebe uma mensagem automática com tudo que é necessário para a reserva, como CPF, nome completo e o adiantamento de 50% do valor”, afirma.

Segundo ela, as regras também são informadas previamente, garantindo transparência.

“A gente já explica que o check-in é a partir das 14 horas e o check-out até o meio-dia, respeitando o tempo de arrumação dos quartos.”

Novas regras de hospedagem

Com a atualização das normas:

  • A diária passa a equivaler a 24 horas
  • O estabelecimento pode utilizar até 3 horas para limpeza
  • O hóspede tem direito a mínimo de 21 horas no quarto

Digitalização já fazia parte da rotina

Elenice destaca que, no caso da pousada, a nova exigência não trouxe grandes mudanças.

“Para mim, não afetou muito, porque eu já trabalho dessa forma desde o início”, explica.

A pousada utiliza a plataforma Hospedim, onde é feita a FNRH com todos os dados dos hóspedes no momento do check-in.

Resistência de hóspedes ainda é desafio

Apesar da praticidade do sistema, nem todos os clientes aceitam bem o fornecimento de dados.

“Tem hóspedes que questionam bastante, perguntam por que a gente precisa de tudo isso. Já teve gente que se irritou na hora do cadastro”, relata.

Segundo ela, nesses casos, é necessário explicar que se trata de uma exigência legal.

“A gente reforça que é uma obrigatoriedade e que precisamos dessas informações para realizar a hospedagem.”

Burocracia e falta de apoio preocupam empresários

A empresária também chama atenção para a quantidade de exigências enfrentadas pelo setor.

“A gente lida com vários perfis de hóspedes e ainda tem muita burocracia. Falta apoio, seja municipal, estadual ou federal. O que a gente vê são mais cobranças e dificuldades”, desabafa.

Concorrência com casas de temporada gera debate

Outro ponto levantado é a desigualdade na concorrência com casas de temporada.

“A gente tem muitos encargos, paga impostos, alvará, segue todas as regras. Já essas casas não têm as mesmas exigências”, afirma.

Segundo Elenice, isso impacta diretamente na competitividade.

“Fica difícil competir, porque não conseguimos trabalhar com o mesmo preço.”

Para ela, a solução passa por uma regulamentação mais justa.

“A lei deveria ser aplicada a todos, tanto para quem é regularizado quanto para as casas de temporada.”

Modernização com desafios

A digitalização do check-in representa um avanço importante para o turismo brasileiro, trazendo mais agilidade e segurança. No entanto, como mostra a realidade de empreendedores na cidade de Goiás, o processo também evidencia desafios, como a resistência de alguns hóspedes, o aumento da burocracia e a necessidade de regras mais equilibradas no setor.

Higor César Ferreira- Repórter e editor do Jornal Imprensa Criativa  

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